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"Se ela se portar mal, ponho-a na Super Nanny"

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foto retirada do site https://amorexigente.org.br Clara (nomes fictícios) entra no meu gabinete e diz, de cara séria: "Agora tenho mais uma coisa para dizer à Rita." Refere-se à sua filha de 7 anos. "Se ela se portar mal, ponho-a na Super Nanny." E ri-se.  Clara tem consultas regulares comigo há cerca de um ano, primeiro semanais e agora quinzenais. Mas não é ela a minha cliente. Ela veio pedir ajuda para a sua filha, que tinha comportamentos de oposição constantes em casa.  Clara faz a piada e o que eu a oiço dizer é: eu sei o que custa educar uma filha em condições difíceis, sei que às vezes é preciso ajuda, e sei que as mudanças levam tempo e precisam de suporte. E ela sabe que eu sei o mesmo porque estamos a trabalhar nisso juntas. O trabalho tem sido produtivo, com avanços e retrocessos, mas com uma evolução positiva constante. Clara teve oportunidade de reflectir sobre a sua actuação enquanto mãe e sobre o que a afectava ao cumprir esse papel. E

Análise pseudo-psicanalítico-superficial do feminino nas autárquicas em Lisboa

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Aviso: isto não é uma análise política. Segundo aviso: as opiniões aqui expressadas não se constituem como análises científicas sobre as pessoas visadas. Terceiro aviso: não segui todos os pormenores da campanha, não li todos os programas eleitorais, não vi todas as entrevistas e muito menos todas as notícias nos jornais. Ok. Com toda a gente avisada, posso então avançar. Três mulheres candidatas à Câmara de Lisboa, minha terra, fizeram-me pensar nisto do feminino na sociedade, neste caso em forma de campanha eleitoral. O marketing é uma ciência interessante que descobriu que as mensagens que vendem são as que entram subliminarmente na mente dos consumidores. Lembram-se de quando o Don Draper se sai com o slogan "It's toasted" para vender tabaco? A frase não diz nada, porque não havia mensagem directa possível. Todo o tabaco era igual, todo era tostado, mas a campanha funcionou. Tal como a "marca" Don Draper também funcionava. Enfim, basta

As mães e as bruxas

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Imagem do site www.marthadebayle.com Era o tempo da inquisição e as mulheres consideradas bruxas eram queimadas em praça pública. Felizmente, já lá não estamos. Mas ainda há pecados que parecem inadmissíveis e impossíveis de confessar. E que se apontam aos outros. Às outras, neste caso. São as más mães. As más mães são queimadas na praça pública das conversas entre vizinhas, entre as outras mães das escolas dos filhos, entre os familiares que metem o bedelho, porque toda a gente sabe como se devem educar as crianças dos outros. Ai se fosse meu filho… Imagino que em casa de quem aponta o dedo, as mães têm sempre tempo para os filhos, nunca perdem a paciência, o jantar está sempre pronto a horas e as refeições são passadas em harmonia. Claro que a casa está limpa, a roupa passada, há tempo para brincar com os filhos, e ainda para estar a par das notícias, tratar das unhas, e namorar com o marido. E ter um emprego. E vida social. As regras ensinam-se com carinho e as crianças

Bom ano?

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Pois foi, saltei a passagem de ano aqui no blog e não vos desejei um bom ano novo. Foi de propósito. Agora estamos quase no fim de Janeiro e tenho umas perguntas para vocês: Então essas resoluções? Ainda não? É agora? Ops! Sim, agora, agora é que vai ser! É agora! É? Pois é. As resoluções que conseguimos fazer já as fizemos. Ou estamos a trabalhar activamente para isso. As outras, as que vão sempre ser "agora", essas é escusado continuarmos a iludir-nos. Repetimos que precisamos de "força de vontade", que temos é de nos "organizar", que ainda não deu mas "vai ter de ser". Mas afinal são coisas que queremos ou que estamos a tentar impor a nós próprios? Voltamos a pensar na vida. Claro que queremos, claro que quero. Mas... Mas há coisas que até parecem simples para os outros, e para nós não são. Há coisas que não parecem simples para ninguém, mas que metemos na cabeça que temos de as fazer, que nos vão fazer mais

O bebé. O casal. A aldeia. A estrela.

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http://coolmom.info/pt/pages/490970 O Natal é muita coisa diferente para diferentes pessoas. Mas religiões à parte, o Natal entrou nas tradições da maioria como uma comemoração da família. A família é essa coisa que leva muitas pessoas a escrever muitas coisas. Que isto já não é o que era, que está tudo pior, são os divórcios, os pais que trabalham demais, as crianças que têm coisas a mais e tempo a menos. Prendemo-nos ao modelo de família tradicional e achamos que esse é que tinha tudo resolvido e direitinho e que produzia crianças / futuros adultos saudáveis.  Pois. O mundo gira, a humanidade muda, os tempos são outros. Mas continuamos todos a ser gente. E todos, todos (excepto uma ínfima quantidade de gente doente) queremos o melhor para os nossos filhos.  Por isso lemos estas coisas que os psis escrevem. Queremos ser bons pais. Mas também queremos ser livres, realizados no trabalho, ter relações conjugais felizes, vidas sociais que nos preenchem. Será tudo assim

Já pensou em oferecer consultas de psicologia pelo Natal?

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A Woman Dragging a Man (Study #1),  1994, de Warren Criswell http://www.warrencriswell.com/collection-rockysapp.html Somos tão bons a pensar os problemas dos outros. A começar pelos psicólogos, claro! Mas os outros, os amigos, o familiares, nós todos, olhamos para as vidas dos outros e os problemas parecem-nos claros, as soluções óbvias. Precisas de sair, apanhar ar, precisas de arranjar um(a) namorado(a), esquece lá isso, não penses mais nisso, cuida de ti, alimenta-te, não comas tanto, devias fumar menos... E quando a coisa do outro parece tão má que não dá a volta nem por nada, há quem aconselhe que o outro vá ao psicólogo. Há até quem se ofereça para marcar a primeira consulta, para ir junto, para pagar. As pessoas (ao contrário do que alguns sentem) realmente preocupam-se e querem ajudar. Já pensou em oferecer consultas de psicologia pelo Natal? Sim? Não o faça. A decisão de ir a um psicólogo, de iniciar terapia, é uma decisão muito pessoal no sentido da autonomia.

Natal incorrecto

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Foto de http://www.galenoalvarenga.com.br/artigos/por-um-natal-diferente Ai... que vou ser tão politicamente incorrecta... Mas há coisas que às vezes é preciso dizer. E ouvir.  Portanto, é Natal. Tempo de comemorar a família e a comunhão (com ou sem religião). É também tempo de lembrar os avós que morreram, os Natais mágicos da infância, aquilo que se perdeu. E quem goza de boa saúde lembra o passado mas comemora o presente. Porque o presente está cheio, pleno, num papel diferente mas mantendo a magia do Natal para as crianças de agora, ou para os adultos, mas sempre para e com alguém. Juntos. Então porque tanta gente se sente só nesta altura? Em tempo de celebrar a paz, de sermos caridosos, de pensarmos em quem tem menos, muito menos, tão menos... alguns de nós sentimo-nos vazios. Separados. Isolados. Tristes. Uma tristeza difícil de explicar, quando toda a gente, mesmo o mais desconhecido dos desconhecidos na rua, é capaz de nos desejar boas festas e bom ano e paz e amor