Esculturas transparentes de Jin Young Yu




"A artista coreana Jin Young Yu (...) diz que os seus trabalhos são sobre as pessoas invisíveis e que têm uma existência transparente. Que em vez de conviverem com os outros, preferem manter uma certa distância e ficarem no seu espaço."


Escolho imagens que me dizem algo, mas a que me gritou ficou de fora. Há coisas que não se podem mostrar ao mundo. Esta fala comigo sem me gritar. Fala de quem tem de proteger coração e sexo, de quem tenta proteger fechando-se, mas não conseguindo evitar que as mãos dos outros entrem. Fala-me de sofrimento contido, encarcerado, mas que apela ainda assim. O olhar em frente, a expressão carregada de solidão, os outros presentes, impossíveis de ver e tocar, mais como assombrações do que como abraços. Talvez as pessoas transparentes não tenham a escolha da distância, talvez essa seja a sua única realidade possível. Enquanto as mãos têm de tapar, não se podem dar. O vazio aparente esconde o que não se pode ver.

Será o cão a esperança do afago? Do amor sem condições e sem preços? Do olhar que aceita, do abanico de prazer?

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